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Mitomania
 
 

 

“Ao chegar a este capítulo da Mensagem de Natal 1971-1972, não é demais enfatizar algo muito penoso que pudemos verificar através de muitíssimos anos de constante observação e experiência. Quero referir-me, sem rodeios, à mitomania, tendência muita marcada entre pessoas afiliadas a diversas escolas de tipo metafísico.Sujeitos aparentemente muito simples, da noite para o dia, depois de umas quantas alucinações, convertem-se em mitômanos.

Inquestionavelmente, tais pessoas de psique subjetiva quase sempre logram surpreender muitos incautos que, de fato, se fazem seus seguidores.O mitômano é como um paredão sem alicerce; basta um leve empurrão, para convertê-lo em miúdo sedimento.O mitômano crê que isto de ocultismo é algo assim como soprar e fazer garrafas e, de um momento para o outro, declara-se Mahatma, Mestre Ressurrecto, Hierofante, etc.O mitômano tem, comumente, reclamações impossíveis; sofrem, invariavelmente, disso que se chama delírios de grandeza.

Essa classe de personagens costuma apresentar-se como reencarnação de Mestres ou de heróis fabulosos, legendários, fictícios.Entretanto, é claro que estamos dando ênfase sobre algo que merece ser explicado.

Centros egóicos da subconsciência animalesca que, nas relações de intercâmbio, seguem determinados grupos mentais, podem provocar, mediante associações e reflexos fantásticos, algo assim como espíritos que, quase invariavelmente, são só formas ilusórias, personificações do próprio eu pluralizado.
Não é, pois, estranho que qualquer agregado psíquico assuma forma jesuscristiana, para ditar falsos oráculos...
Qualquer destas tantas entidades, que, em seu conjunto constituem isso que se chama ego, pode, se assim o quiser, tomar forma de Mahatma ou Guru e, então, o sonhador, ao voltar ao estado de vigília, dirá de si mesmo: "Estou auto-realizado! Sou um Mestre!"

Deve-se observar a respeito que, de todos os modos, no subconsciente de toda pessoa, acha-se latente a tendência à tomada de partido para a personificação.
Este é, pois, o clássico motivo pelo qual muitos gurujis asiáticos, antes de iniciar seus discípulos no magismo transcendental, previnem-nos contra todas as formas possíveis de auto-engano.

Não é tão fácil Despertar Consciência. É necessário liberar a Essência, tirá-la de seus habitáculos subconscientes; destruir tais habitáculos; transformá-los em pó. Este é um processo gradativo, muito lento, penoso, difícil. Conforme a Essência vai se liberando, a porcentagem de Consciência vai aumentando.
Os humanóides intelectuais, equivocadamente chamados homens, possuem, em verdade, tão só uns três por cento de Consciência; se tivessem sequer uns dez por cento, as guerras seriam impossíveis sobre a face da terra.
A Essência primigênia que se libera ao iniciar-se o processo do morrer é inquestionável que se converte na Pérola Seminal, esse ponto matemático da Consciência, citado pelo Evangelho do Tao. Assim se inicia o Mistério do Áureo Florescer.

O mitômano se presume de iluminado, sem haver liberado a Essência, sem possuir, nem sequer, a Pérola Seminal.
As pessoas de psique subjetiva são utópicas cem por cento; supõem, equivocadamente, que se pode ser iluminado sem haver logrado a morte do ego de forma radical e definitiva.
Não querem entender essas pessoas que, havendo auto-aprisionamento, a iluminação objetiva, autêntica é completamente impossível.
É óbvio que, quando a Essência está engarrafada no eu pluralizado, existe o auto-aprisionamento. A Essência engarrafada só funciona de acordo com seu próprio condicionamento.

O ego é subjetivo e infra-humano. É ostensível que as percepções que a Essência tenha através dos sentidos do eu pluralizado, resultem deformadas e absurdas. Isto nos convida a compreender o difícil que é chegar à iluminação verdadeira, objetiva.

O preço da iluminação se paga com a própria vida. Na terra sagrada dos Vedas, há chelas-discípulos que, depois de trinta anos de intenso trabalho, encontram-se tão só no começo, no prólogo de seu trabalho. O mitômano quer ser iluminado da noite para o dia; presume-se de sábio, crê-se um Deus.”
V.M Samael Aun Weor

 

 
 
     

“Este ensinamento para mim é tão grande porque ele ensina a  gente a viver” (Mestre Rabolú)