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A não identificação diária
 
 

Durante o dia o mal que faz a gente é identificar-se com uma paisagem, com uma mocinha bonita, com uma jóia. Bem, com coisa que são feitas pelo tempo e que o tempo acaba com tudo.

 

 

 

Durante o dia o mal que faz a gente é identificar-se com uma paisagem, com uma mocinha bonita, com uma jóia. Bem, com coisa que são feitas pelo tempo e que o tempo acaba com tudo.  Porém, as pessoas ficam: “Ai, olha que não.. Que vestido tão bonito este! Quanto custará? Que não sei quê...” Aí fica! A pouca consciência aí fica.

Eu tenho este costume: Eu saio à rua; saio para comparar alguma coisa ou alguma diligência. Vou para onde vou e para o que vou. Não me importam as vitrinas, não me importa o que seja, eu não me distraio nisso, em nada!

Olhem, tudo o que fez o Mestre numa ida minha ao México. Disse-me:

- Quero que conheças a torre Latino-americano. Disse-lhe:

- Bem, vamos!

Desde que saiu de casa, foi com a intenção de me adormecera consciência. De me adormecer.

Olha Joaco, que beleza! Olha que árvore! Olha que não sei quê, que não sei quanto. Porém, já tinha como cansado.

Bem. Chegamos à torre. Disse ele:

- Vamos subir piso por piso para que vejas as maravilhas e não sei quê, dizia-me ao subir um piso. Bem, com essa bulha do Mestre, eu olhava:

- Sim, homem, sim! Está bonito, porém...

Por exemplo, dizia:

- Como te parece? Não está bonito?

Seguimos adiante, assim, até que.. São 53 pisos, parece-me que são . Já subimos à cúspide e olhamos para a rua e se viam os carros pequeninos e as pessoas como galinhas.

- Como parece esta maravilha?

- Homem! Mestre! Está bonito!Disse-me:

- Porém, dá-me teu conceito! Disse-lhe:

- Bem. Vou dar-lhe o meu conceito. Esta torre é uma beleza. Nestes momentos é uma beleza. Dentro de segundos pode haver um terremoto, um tremor de terra e se ir ao solo. Então, que foi feito da beleza da torre? Onde está a verdade da torre? Onde está? Mostre-me, Mestre!

Então me abraçou e me disse:

- Acreditei que te havia adormecido a Consciência. Porque foi meio dia que durou, desde que saímos de casa. Foi-me adormecendo a consciência, e não pôde. Não pode, porque eu estou no que estou.

Olha as coisas. Por exemplo, este gravador é um objeto de ouro. Eu não posso dizer-lhes que é muito feio. Não? Porque é  bonito. Um metal ao qual nós damos o valor pela nossa ignorância, porque esse pedaço de metal em outro planeta é um metal bonito, têm-no por adorno; porém, não lhe dão o nosso valor. Então, tudo é feito pelo tempo. Que acontece? Um terremoto. Que foi feito do seu preço de outro? Onde ficou seu valor? Desapareceu!

 

Pergunta: Para que serve agora, não?

Resposta V.M.:Para quê? Assim, olhar todas as coisas do ponto de vista objetivo.

Pergunta: Porém, isso também se pode fazer com a consciência adormecida?

Resposta V.M.: Claro! Claro! Se eu comecei com a consciência adormecida a me traçar a disciplina, a olhar as coisas já deste outro ângulo.

Pergunta: Tratar de desapegar-nos de tudo?

Resposta: Sim. Uma mulher belíssima, por exemplo, uma rainha de beleza, que é? Dentro de 15 ou 20 anos é uma velha decrépita por aí, porque está sujeita ao tempo e tudo o que está sujeito ao tempo, o tempo o acaba.

Pergunta: Porém, temos que chegar a isso pela compreensão. Não se pode chegar porque se planeje, porque se diga: “O mestre Rabolú disse que uma mulher é isso!”

Resposta V.M.: Não, não, não! Comecem os senhores a analisar tudo. Uma análise de tudo!

Pergunta: Ainda que no princípio o façamos inconscientes?

Resposta V.M.: Conquanto o façam inconscientes, pouco a pouco os senhores o vão fazendo consciência e isso lhes serve aqui e em outras dimensões. É um ensinamento que , oxalá, todo mundo o praticasse.

Pergunta: A recordação de si?

Resposta V.M.: Sim. Não nos identificarmos com nada.

Pergunta: Que atitude interior nós devemos ter para tratar de provocar este estado de consciência?

Resposta V.M.: Sempre olhar os dois pólos. Não? O bonito e o feio. Uma mulher feia não é igual a uma bonita? Sim, ou não? Igual! Porque estão sujeitas ambas ao tempo e, à parte disso,chega a morte e acabou com ambas. Têm os mesmos órgãos. Qual é o nosso problema? De olhar a beleza e o quê? Não é o mesmo uma feia e uma bonita? A mesma coisa. E ambas estão sujeitas ao tempo. Análises assim, profundamente, de tudo o que vemos, e nos tornarmos práticos. Não nos identificamos com nada disso e assim o fazemos no interno. Atuamos igual.

 

Texto extraído do livro: Entrevista com o Mestre Rabolu pela Espanha—2 e 3 de fevereiro de 1991 -

 

 

 

 
 
 
     

“Este ensinamento para mim é tão grande porque ele ensina a  gente a viver” (Mestre Rabolú)